
Outro dia uma tricoteira-arteira muito querida herdou um arsenal de fios antigos daqueles de deixar qualquer um enlouquecido para começar a tecer tudo ao mesmo tempo, mas... O cheiro de mofo “tava de matar”.
Muitas foram as sugestões que ela recebeu de outras tricoteiras-arteiras para solucionar o problema, porém, eu acabei deixando de dar os meus “pitacos” ou sugestões a ela. Mas sempre há tempo para socorrer uma amiga.
Se você, amiga leitora, também foi lembrada por Papai Noel antes da hora e não sabe o que fazer para aproveitar as heranças de fios passados de geração em geração, saiba que é possível salvar seu arsenal do mofo que está pronto para atacar seu nariz e sua pele, sem descartar nem um fiapo sequer dessas preciosidades e sem gastar quase nada.
• Para começar a tarefa de resgate, proteja suas mãos com luvas e, se possível, seu nariz e boca com uma máscara (até um lenço molhado serve).
• Se dispuser de um local com bastante sol, espalhe bem os novelos e meadas para arejar durante algumas horas. Se os rótulos estiverem manchados de amarelo ou preto, remova-os.
• Após deixá-los ao sol, pulverize cada novelo com uma solução de álcool tradicional com um pedacinho de cânfora dissolvida. (Se você fizer tratamento homeopático, não deve usar cânfora.) Também vale misturar óleo de cedro ou extrato de lavanda (óleo essencial) com o álcool.
• No lugar onde for guardar os fios depois de tratados, coloque uma embalagem pequena de “caça-mofo” e sachês feitos com cravos-da-índia. (Use uma meia fina velha para fazer pequenas bolinhas.) De preferência, acondicione seu novelos em caixas ou contêineres plásticos bem fechados.
• Antes de tecer, deixe os novelos dormirem no freezer dentro de sacos plásticos bem fechados. Isso acabará com os eventuais ácaros e outros bichinhos que provocam alergia. Ao retirar os novelos do freezer, enrole-os novamente, passando o fio por uma fralda de pano embebida em álcool canforado.
• Depois que tecer a peça, lave antes de usar. Pode apostar, não tem cheiro de mofo nem ácaro que resistam a esses cuidados.
A propósito, amiga leitora, se você tem alguma dica legal para conservação de tricôs e fios, não deixe de mandá-las. Esse espaço está sempre aberto para a sua idéia. Afinal cada tricoteira-arteira tem sempre um segredinho de bem-tecer e bem-viver.
Bom tricô e até a próxima.
Foto: cortesia de Olivia Guimarães para “As Tramas de Milady”
Antes da chegada do inverno neste hemisfério, tivemos dias gelados no Sul e no Sudeste. E eu, como boa tricoteira-arteira, me animei toda.
Saí à caça de novidades e lançamentos de fios, dei uma geral nas minhas agulhas e outras ferramentas “tricotísticas” e desandei a tecer um monte de coisas para o inverno que prometia. Ledo engano. O frio só deu um tchauzinho de leve, pelo menos para nós aqui do Sudeste e regiões acima do Trópico de Capricórnio. Lá pelos lados do Sul, o frio chegou com vontade, mas, por aqui, nada além de dias estorricados e temperaturas acima de 20 graus durante o dia. Resultado: hora de guardar os “'tecidos e usados”.
Lavar tricô (ou crochê) tem lá seus truques, principalmente porque os fios que usamos por aqui têm alta porcentagem de fibras sintéticas, o que ocasiona a formação de bolinhas e não são tratados para enfrentar uma máquina de lavar comum a torto e a direito.
Se você não é dada a baldes e bacias, e se tem poder aquisitivo para mandar suas artes tricotísiticas para a lavanderia, ótimo. Mas, se não for esse o caso, veja algumas dicas para lavar seu tricô (ou crochê) sem grandes mistérios:
• Antes de molhar as peças, veja se não há manchas. Se houver, utilize um produto tira manchas (que não contenha cloro), aplicado na peça ainda seca (não se esqueça de fazer um teste para ver se a cor não vai desbotar).
• Lave as peças se possível à mão e com um sabão líquido ou em pó, próprios para roupas delicadas. Mergulhe-as na solução de água e sabão por no máximo 15 minutos, agite um pouco a peça para a sujeira se soltar. Enxágüe bem para remover todo o sabão. Dê uma última enxaguada numa mistura de água com algumas gotinhas de vinagre branco (ou de maçã) e um pouquinho de amaciante. Retire o excesso de água com uma toalha e coloque para secar na horizontal, num local bem ventilado, sem a incidência de sol direto.
• Se você possui máquina de lavar que tem um ciclo de lavagem para roupas delicadas, coloque seu tricô dentro de um saquinho próprio para lavar lingerie e lave como descrito anteriormente. Só não deixe centrifugar no ciclo completo.
• Procure lavar suas peças sempre em água fria.
• Se as peças forem da cor branca ou cru, deixe-as de molho por meia hora numa solução de 1 colher (sopa) de bicarbonato de sódio para 5 litros de água. Enxágüe bem antes de prosseguir a lavagem com o sabão neutro. Isso evita o “amarelado” da peça.
• Tricôs tecidos com fibras animais (100% lã, mohair, cachmere) ficam muito macios, quando lavados com xampu de lanolina (dissolva o xampu na água, agite até formar espuma, mergulhe a peça nessa solução).
• Uma maneira de evitar que as fibras naturais soltem pêlos é enxaguá-las em água gelada.
• Se não tiver amaciante para o enxágüe das peças, use um pouquinho de condicionador para cabelos secos (quanto mais baratinho e sem marca conhecida, melhor). O efeito será o mesmo do amaciante.
• Depois que as peças lavadas estiverem completamente secas, dobre-as com cuidado e guarde em saquinhos de TNT (tecido não tecido), de preferência de cor azul. (Quanto mais escuro o azul, mais sua peça estará protegida de eventuais amarelados − no caso das cores claras.) Feche os saquinhos com fita crepe.
• Se o local onde você guarda suas roupas está sujeito a umidade ou mofo, coloque dispositivos “caça-mofo”, espalhados dentro do armário ou das gavetas. Na falta do “caça-mofo”, compre um pouquinho de cal virgem em lojas de materiais de construção, coloque algumas pedrinhas dentro de um potinho plástico, sem tampa, e prenda um pedaço de filtro de papel (coador de café) na borda do pote com fita crepe. Faça alguns furinhos no papel.
• Espalhe sabonetes bem perfumados nos locais onde guarda suas artes. Não precisa tirar da embalagem. Basta fazer vários furinhos com um alfinete.
Seguindo direitinho essas dicas, garanto que sua obra terá vida longa e você poderá usar o que teceu, com tanto cuidado, por muito tempo. Agora, se você comprou todas as novidades de fios que foram lançadas nos últimos cinco anos ou mais e não deu conta de tecer nem a metade do seu superestoque, fique atenta, pois “bichos indesejáveis” podem estar de olho no seu arsenal.